sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Disgaea - Hour of Darkness (DS)

Quase cinco anos depois de sua estréia no Playstation 2, o já clássico RPG estratégico "Disgaea: Hour of Darkness" , da pequena Nippon Ichi, chega ao Nintendo DS mantendo todo seu charme. Com algumas pequenas mudanças para se adaptar às limitações e a tela sensível do portátil, o jogo se mostra tão fresco e divertido quanto na época do lançamento original, se tornando um dos títulos indispensáveis na biblioteca do console.

Bom humor não falta

A apresentação de "Disgaea" logo chama a atenção por seu charme e peculiaridade. Os gráficos, por exemplo, são desenhados à mão em vez de construídos por polígonos - que surgem apenas para construir os cenários - deixando o visual fresco, como nos clássicos da era 16 bits, e são acompanhados por uma trilha sonora simpática e grudenta - não é difícil se pegar assoviando alguma das faixas depois de algum tempo de jogo.

Para o DS algumas texturas parecem mais pobres, assim como a paleta de cores se apresenta mais limitada, mas é uma apresentação respeitável dentro das limitações do console. Por sua vez, a nova versão aproveita as duas telas para pontuar a ação com algumas cenas que surgem na tela superior, além da navegação, que agora pode ser feita pela caneta stylus.

Com um design que lembra um animê, não só na criação dos personagens, mas também no estilo da narrativa, somos apresentados a uma história repleta de surpresas e reviravoltas, que sempre utiliza uma grande dose de humor para se distanciar da maioria dos jogos do gênero, geralmente estrelados por heróis marrentos que se levam a sério demais. Esta marca única surge através da história do Príncipe Laharl, protagonista que se considera um vilão. Ele acorda de um sono de dois anos para descobrir que seu pai, o governante do reino das trevas, está morto e que ele precisará tomar o trono à força - com a ajuda de sua ajudante Etna e um esquadrão de Prinnies, criaturas falantes que se assemelham a pingüins.

Mecânica complexa, mas acessível

Não se deixe enganar pelo visual bonitinho e pelos diálogos espirituosos: "Disgaea" é um jogo extremamente complexo com possibilidades virtualmente infinitas, algo que pode intimidar jogadores novatos.

Utilizando de um sistema de turnos, é necessário explorar mapa a mapa com uma quantidade limitada de personagens ao mesmo tempo em combate (já que é possível criar quantos desejar), que têm movimento limitado de acordo com classe, experiência ou outros fatores. Há uma variedade enorme de modelos para utilizar, assim como armas e itens especiais, além dos Geo Panels, artefatos localizados em determinados mapas que afetam ambos os lados da batalha, fornecendo bônus ou penalidades. Juntando a isso, ainda há a possibilidade de criar combos de ataque entre dois ou mais personagens e a de arremessar aliados ou inimigos para posições mais favoráveis no cenário.

Se tudo isso já é complicado (e divertido) o suficiente, como um grande e versátil tabuleiro de xadrez, com a constante obrigação de posicionar seus homens em locais estratégicos e saber utilizar suas habilidades específicas como ataque a longo alcance ou magias elementais, existe ainda a necessidade de refazer alguns cenários. Assim, você aumentar sua experiência e consegue enfrentar desafios mais cabeludos.

Uma das alternativas para isto reside no Item World, que mostra que dentro de cada item do jogo existem vários cenários que permitem aumentar os níveis daquele objeto. Assim, com a grande quantidade de armas e utilitários disponíveis e a possibilidade de refazer as missões à vontade, as opções são praticamente sem fim.

Outro aspecto interessante e que ajuda a tornar o jogo tão especial é a parte de planejamento, que ocorre antes das missões. As tradicionais lojinhas de itens, por exemplo, têm um estoque aleatório e uma barra de experiência que é preenchida a cada compra, garantindo que a mercadoria ofertada acompanhe os avanços do jogador. Mais interessante ainda é a Dark Assembly, um cenário onde é possível criar personagens extras, pedir dinheiro ou itens inéditos em uma espécie de plenário repleto de monstros. Se seu personagem for imponente o bastante, todos irão votar a favor do que quiser propor, mas, se não for o caso, será necessário subornar alguns membros mais influenciáveis ou, em último caso, utilizar da força bruta para fazer valer a sua vontade. É mais uma característica que coloca à disposição uma infinidade de possibilidades para o desfecho do modo de jogo, que aliás, acompanha tamanha versatilidade apresentando múltiplos finais.

Mas se tantas opções te deixam intimidado, não se preocupe: o game é extremamente balanceado e pode ser jogado de maneira direta acompanhando a história principal, com mínimo conhecimento e horas gastas, o que é outro ponto forte a favor. Para a versão do DS então, a dificuldade parece ter sido reduzida e há também a possibilidade de cortar as animações de ataque, deixando a ação mais rápida e fluida.

Extras mantidos

Além do suporte à caneta stylus e o uso das duas telas, há algumas novidades nesta versão para DS, herdadas da versão de PSP, como o Etna Mode, que mostra a história principal em um hilário estilo "O que Aconteceria Se...?", alguns personagens secretos e o modo multiplayer. Neste último, é possível jogar com algum amigo, desde que ele também possua o jogo, e trocar itens para aumentar seu arsenal - que também pode ser mantido para recomeçar campanhas offline, assim como outros poderes de seus personagens.

CONSIDERAÇÕES

"Disgaea DS" demorou para chegar ao portátil da Nint endo, mas espera valeu. Apesar de alguns gráficos mais simples, é basicamente o mesmo jogo lançado no Playstation 2, com direito aos extras do PSP, uma vitória diante das maiores limitações do hardware. Com um grande senso de humor, personagens cativantes e uma mecânica complexa, é um título que mantém a atenção por muitas horas, sem ficar velho ou repetitivo, diante da grande quantidade do vasto e dinâmico conteúdo disponí vel. Sem dúvida, é um dos mais viciantes e divertidos jogos da biblioteca do console, obrigatório para todos aqueles que curtem estratégia e animação japonesa.

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